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Todo empresário sabe que o resultado econômico – lucro ou prejuízo – do seu negócio é obtido da diferença entre receitas e despesas correlacionadas de determinado período. Esse resultado é apurado via contabilidade ou, paralelamente, através de controles gerenciais, que suportam ajustes dos valores contábeis a uma medição mais adequada, em especial ao considerar os valores em moeda constante, o que é feito mediante o reajuste, por índice de inflação, de valores em datas passadas para uma mesma data.
Todavia, o simples conhecimento do valor do resultado, seja ajustado ou não, por si só é insuficiente para um julgamento apropriado: há ainda que relacionar tal valor ao do investimento realizado, para se avaliar, através da taxa de retorno do investimento, até que ponto foi lucrativo o negócio.
O investimento a ser considerado é o valor do ativo total ou o do patrimônio líquido, ou, ainda, o do estoque, dependendo do enfoque da avaliação – se referente ao investimento total ou ao investimento próprio e se é uma empresa industrial ou comercial.
Por sua vez, a taxa de retorno pode ser traduzida pelo produto de duas outras relações: margem das vendas x giro das vendas, tornando-se, portanto, totalmente dependente da conjugação desses dois fatores, na realidade conflitantes entre si, como se verá adiante. Enquanto a margem das vendas (lucro líquido/receita operacional líquida) é a medida de lucratividade conseguida nas vendas dos produtos/serviços, o giro das vendas (receita operacional líquida/ativo total) reflete a quantidade de vezes que o volume de receitas de vendas atinge em relação ao investimento.
Geralmente, o ramo do negócio pré-define a tendência do comportamento da margem e do giro do empreendimento. Exemplos: um posto de combustível tem margem baixa e giro alto, enquanto um restaurante de luxo tem margem alta e giro baixo e uma indústria de peças normalmente tem margem e giro equilibrados. Seu um feliz empresário conseguir margem alta conjugada com giro também alto, seu negócio é fora-de-série, e, sem dúvida atrairá muitos concorrentes, caso o risco seja razoável.
Vamos supor um negócio novo, de alto retorno – a atitude do empresário será de reduzir sua margem, afastando potenciais concorrentes, ou esperar a instalação deles, que trará efeito negativo ao seu giro. Em qualquer das situações, a médio prazo o negócio ficará reposicionado dentro da normalidade do mercado.
No seu dia-a-dia, cabe ao empresário decidir estimular o giro com redução da margem de lucratividade, ao, ao contrário, elevar sua margem em detrimento do giro, sempre visando maximizar o retorno do investimento ou inibir eventual concorrência.
Assim, o essencial é definir o acompanhamento gerencial que o empreendimento requer, procurando identificar as causas que afetam de forma negativa a margem e/ou o giro e, em conseqüência, o retorno do negócio.
Nilo Lavigne Economista e consultor
Data: agosto de 2007 |